Vixe que ontem foi um diazinho miserável! Não sei se tem a ver com a tal sexta-feira 13 – não sou supersticiosa, isso dá azar – mas o dia já começou com um silêncio estranho. Sim, porque com a população de cambacicas ou sibitos (Coereba flaveola) arregueiros que vivem no meu bonsai de pau-brasil, silêncio logo de manhã é coisa rara: se a gente coloca a água com açúcar deles, eles fazem uma festança; se não, coloca eles ficam reclamando... Não tem escapatória!Em todo caso, ontem penei pra caramba e sofri horrores com uma cólica maldita que chegou mais cedo sabe-se lá porquê! E foi sexta-feira 13... Mas nunca entendi muito essa de sextas 13 serem sinal de azar e coisas do tipo. Por que não cismar com as quintas 12 ou sábados 14? Que preconceito, viu! Só porque a sexta-feira é o dia da farra, de terminar o expediente e tomar umas, sem ter que se preocupar de estar bem no outro dia para acordar cedo e ir trabalhar...
Bom, curiosa como eu só, resolvi procurar na Wikipédia e descobri algumas coisas interessantes: o medo ao número 13 se chama triscaidecafobia, e o medo específico às sextas-feiras 13 é chamado parascavedecatriafobia ou frigatriscaidecafobia.
Há muitas causas possíveis dessa implicância com as sextas-feiras 13. Uma delas remete a 13 de outubro de 1307 – obviamente uma sexta-feira, – quando rei francês Filipe IV (por sinal, tenho um amigo chamado Filipe que faz aniversário hoje) resolveu declarar a Ordem dos Templários ilegal e todos os Cavaleiros, considerados hereges, foram presos, torturados e mortos.
Outra causa possível vem da crença de que Jesus teria sido morto numa sexta-feira 13 com base no calendário hebraico da época. Para mim isso não faz muito sentido, já que a Páscoa judaica – correspondente ao dia da ressurreição, que teria sido 2 dias depois da morte do Cristo – é celebrada no dia 14 do mês de Nissan, no calendário hebraico. Então ou estou muito errada, ou ele teria morrido no dia 12, não no dia 13.
Há também a crença na lenda da deusa Frigga – origem da palavra friadagr, que significa sexta-feira, – uma espécie de Afrodite escandinava. Quando as tribos daquela região se converteram ao cristianismo, Frigga, como quase tudo na época, passou a ser considerada bruxa e se vingaria rogando pragas sobre os homens nas sextas-feiras, quando se reunia com outras onze bruxas e o próprio demônio (13).
Outra lenda diz que houve um banquete no Valha, a morada dos deuses nórdicos, para o qual foram convidados apenas 12 deuses. Loki, o espírito do mal e da discórdia – talvez você lembre dele do filme O Máscara, – ao saber da rejeição, apareceu sem ser chamado e armou uma confusão tremenda que acabou culminando na morte de Balder, o deus da luz e um dos favoritos. Isso somado ao fato de que haviam 13 pessoas na Santa Ceia (Jesus + 12 apóstolos), entre eles o "traidor" Judas Iscariotes, e temos uma crença de que reunir 13 pessoas é sinal de azar.
Ainda, a numerologia considera o número 12 como o número "completo" – 12 meses no ano, 12 tribos de Israel, 12 apóstolos de Jesus, 12 signos do zodíaco etc., – então o 13 é considerado "irregular", quando tem sempre algo sobrando e pronto para causar algum prejuízo.
Parascavedecatriafóbicos à parte, coisas ruins aconteceram em sextas-feiras 13 – não que não tenham acontecido em outros dias também, mas todo mundo repara mais quando é sexta 13 – entre elas o pior incêndio florestal da história (Austrália, numa sexta-feira 13 de 1939, cerca de 20 mil km foram queimados e 71 pessoas morreram), a queda do avião que levava a equipe uruguaia de rúgbi nos Andes (numa sexta-feira 13 de 1972; veja o filme Vivos!, de Frank Marshall) e o decreto do AI-5 (sexta-feira, 13/12/1968).
Bom, ainda bem que isso passou e sexta-feira 13 agora só em fevereiro de 2009... Até lá!